Você sabe o que significa cirurgia bariátrica?

Foto – Michelle Meiklejohn

A cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia da obesidade, cirurgia metabólica ou, mais popularmente, redução de estômago, reúne técnicas – com respaldo científico – destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças causadas pelo excesso de gordura corporal ou agravadas por ele.

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos dez principais problemas de saúde pública do mundo, a obesidade vem crescendo em ritmo alarmante no Brasil.

De acordo com o IBGE, mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso. Pesquisas indicam que o excesso de peso já atinge também uma em cada três crianças entre cinco e nove anos de idade e um quinto dos adolescentes no país.

Pessoas que convivem com o drama da obesidade, apresentam em geral um distúrbio associado a diversas condições médicas e psicológicas, decorrentes da má alimentação, do sedentarismo e do histórico familiar.

A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes que apresentam Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 ou entre 35 e 40 na presença de alguma doença associada. Além disso, o paciente deve ter tentado perder peso pelo tratamento clínico convencional por pelo menos dois anos, sem sucesso.

Tipos de cirurgia
São aprovadas no Brasil quatro modalidades diferentes de cirurgia bariátrica (além do balão intragástrico, que não é considerado cirúrgico): bypass gástrico, banda gástrica ajustável, as derivações bíleo-pancreáticas (duodenal switch e Scopinaro) e a gastrectomia vertical.

As técnicas cirúrgicas diferenciam-se pelo mecanismo de funcionamento. Existem três procedimentos básicos da cirurgia bariátrica: os restritivos (que diminuem a quantidade de alimento que o estômago é capaz de comportar), os disabsortivos (que reduzem a capacidade de absorção do intestino), e aqueles que têm pequeno grau de restrição e desvio curto do intestino geralmente sem má absorção de gorduras, chamadas de técnicas mistas.

Todos podem ser feitos por videolaparoscopia, menos invasivo e mais confortável para o paciente.

Bypass gástrico (gastroplastia com desvio intestinal em “Y de Roux”)

Estudado desde a década de 60, o bypass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a 75% das cirurgias realizadas, devido sua segurança e, principalmente, eficácia: perde-se de 40 a 45% do peso inicial.

Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, reduzindo o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome.

Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças como a hipertensão arterial.

Banda gástrica ajustável
Criada em 1984 e trazida ao Brasil em 1996, a banda gástrica ajustável representa 5% dos procedimentos realizados no País. Apesar de não promover mudanças na produção de hormônios como o bypass, essa técnica é bastante segura e eficaz na redução de peso (20 a 30% do peso inicial), o que também ajuda no tratamento do diabetes.

Instala-se anel de silicone inflável ajustável ao redor do estômago, que aperta mais ou menos o órgão tornando possível controlar o esvaziamento do alimento.

O anel é ligado a um botão que fica embaixo da pele e pode ser alcançado por uma agulha de injeção. Assim, é possível injetar água destilada para apertar mais o estômago ou esvaziá-lo para aliviar a restrição.

Gastrectomia vertical
Nesse procedimento, o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 ml.

Essa intervenção provoca boa perda de peso, comparável à do bypass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável.  É um procedimento relativamente novo, praticado desde o início dos anos 2000.

Tem boa eficácia sobre o controle da hipertensão, doenças dos lípides (colesterol e triglicérides). Existe ainda alguma controvérsia se esse é um método tão eficaz quanto o bypass gástrico ou o duodenal switch em relação ao controle do diabetes, mas de maneira geral, é uma operação mais simples tecnicamente que o bypass e diversos estudos nacionais e internacionais mostram resultados promissores.

Derivações bíleo-pancreáticas – duodenal switch e Scopinaro
Ambas às técnicas privilegiam a má absorção. O duodenal switch é a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal, em que 85% do estômago são retirados, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas.

A técnica de Scopinaro tem como principio a gastrectomia (retirada de parte do estomago), associado a também grande desvio intestinal. Difere do duodenal switch por ser horizontal, sem a preservação da anatomia e mecanismos de controle do esvaziamento gástrico.

O desvio intestinal reduz a absorção dos nutrientes, levando ao emagrecimento. A técnica foi criada em 1978, corresponde a 5% dos procedimentos e leva à perda de 40 a 50% do peso inicial. Apesar de bons resultados em termos de perda de peso, as técnicas disabsortivas necessitam monitoramento nutricional intensivo, pois podem levar a longo prazo à desnutrição e suas conseqüências mais freqüentemente que as outras técnicas.

Essas quatro técnicas constam no Consenso Brasileiro Multissocietário em Cirurgia da Obesidade, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e recomendadas mundialmente. Seus resultados e riscos estão disponíveis em consistentes publicações médicas científicas.

O paciente que tenha indicação para cirurgia bariátrica deve conversar com o médico que já o acompanha e, ao tomar a decisão, procurar um profissional habilitado e com experiência comprovada nessa área, evitando aqueles que pratiquem técnicas não aprovadas pelo CFM ou que prometam soluções milagrosas.

Fonte – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – SBCBM(entidade que congrega os médicos especialistas no tratamento cirúrgico da obesidade) Mais informações estão disponíveis no site http://www.sbcbm.org.br/.

 

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