O que fazer se a criança tem medo do escuro?

Olá amigas(os), o medo do escuro é comum na infância e pode aparecer por volta dos dois anos e estender-se, em geral, até os sete, fase onde a imaginação da criança está mais aflorada e faz com que muitos não consigam distinguir a realidade da ficção.

medo do escuro2Esse sentimento faz parte do desenvolvimento emocional do ser humano. É a reação de proteção que o organismo tem ao acreditar que algo possa lhe fazer mal. Por isso que, na hora de dormir, quando os pais não estão por perto e as luzes apagadas, esse sentimento aflora.

Confira algumas dicas para os pais lidarem com essa situação com a criança:

É normal as crianças terem medo do escuro, pois isso faz parte do desenvolvimento psicológico de cada um. Cabe ressaltar que o medo em si, não é patológico, ele é uma emoção básica e importante, tem uma função e é universal, faz parte do ser humano. O medo prepara fisicamente nosso organismo para situações de perigo, luta e fuga e nos permite avaliar situações de risco.

Esse medo do escuro, geralmente vem acompanhado de uma carga de ansiedade e insegurança, apresenta-se por meio do Sistema Nervoso Autônomo com taquicardia, suor, aumento do ritmo respiratório, tensão muscular. As crianças podem apresentar alguns comportamentos como: insônia, xixi na cama, paralização, gritos, choro e outros.

Algumas crianças temem ficar e dormir em ambientes escuros, porque o escuro é o lugar do desconhecido, da perda de controle sobre as coisas e sobre si. Na escuridão muitos se sentem impotentes, fracos e vulneráveis.

Para a criança que tudo ainda é muito imaginário e a fantasia reina na psique, o escuro abre portas para que seus medos, angústias e pavores tomem lugar, espaço concreto, e não fica apenas no mundo interno e inconsciente.

medo do escuro1Os pais devem lidar com isso. Não é indicado forçá-la a encarar o medo, principalmente com ameaças e nem estimular temores, tentando usar o medo como uma ferramenta de educação, como por exemplo: “Se não comer salada, o bicho papão/a bruxa virá te pegar”. As crianças são muito concretas e têm pouca capacidade de simbolizar e compreender metáforas. Assim, tais atitudes acabam por deixá-las mais fragilizadas.

Outro erro comum é negar o medo infantil e forçar o filho a dormir pedindo que não acorde mais os pais com essas “bobagens”. Isso ocorre com mais frequência quando os pais estão esgotados, sem paciência e perdidos, sem saber como agir corretamente. Esse é um dos maiores desastres que os pais podem fazer: não validar as emoções e sentimentos do filho, desestimular o diálogo e não propiciar formas saudáveis de lidar com o problema.

Muitas vezes só da criança saber que pode compartilhar o medo e explicar como se sente aos pais, promove sensação de alívio, acolhimento e proteção.

criança com medoPedir ajuda e expor os sentimentos já é um passo bastante importante, valorize isso!

Tomar cuidado para não rir nem ridicularizar o medo infantil e, muito menos, fazer comparações da criança com outras que não apresentam esse medo. Essa atitude distancia a criança dos pais, pois ela sentirá que não pode contar com eles diante às dificuldades, tornando-se mais introspectivo e com menos recursos internos e estratégias criativas de solucionar seus conflitos. Além de internalizar que o que sente e percebe é bobagem, sem valor, podendo ter consequências desastrosas no futuro. Nossa tarefa enquanto adultos é munir os filhos de ferramentas para que possam enfrentar seus medos e temores internos e externos e não jogá-los nas situações sem condições e estratégias de enfrentamento.

Estimulamos os pais a compartilhar com a criança que eles também já passaram situações similares. Isso faz com que os filhos sintam-se valorizados, apoiados e, principalmente, pensam: “Se papai/mamãe (que são os super-heróis dos filhos) já sentiram isso e venceram, tudo bem! Eu também posso sentir e conseguir vencer! Ufa!”. Os pais podem contar maneiras que eles próprios encontrarem para resolver os medos, além de juntos poder explorar diversas formas de como conseguir enfrentar o conflito. A criança irá se identificar com eles, e se sentir capaz de superar essa situação.

criança no escuroComplementem dizendo que todos têm medos e que em certo nível o medo é importante e nos protege, pois aparecerão situações na vida que nos farão sentir desta forma, precisamos então é saber como lidar e se proteger das adversidades e não excluir, negar. Mostre a ele, com calma, paciência, validação e amor que é possível aprender a “domar” esse medo, e que isso o ajudará no futuro.

Os pais podem criar uma rotina de tranquilidade e relaxamento antes de dormir. Não deixe as crianças assistirem programas agitados que promovam tensão. Contar histórias à noite costuma ser muito eficaz e benéfico. Verifiquem junto a eles se não há monstros embaixo da cama, janela, no banheiro e nos armários.

Uma luz acessa no corredor ou no banheiro pode deixar a criança mais segura e diminui a possibilidade de enxergar coisas assustadoras. Lanterna ou abajur ao lado da cama servem também como apoio em caso de a criança sentir muito medo durante a noite.

Fazer uso de algo que dê segurança à criança, como amuleto é uma boa dica para esta fase, assim os pais estarão ensinando-a se proteger frente às ameaças e não a excluir o problema. Com o passar do tempo, a ideia é que a criança não precise mais deste “amuleto”, pois já o reconhece internalizado em si. A escolha desse objeto é muito singular, pode ser bicho de pelúcia, cobertor ou até algum brinquedo que lhe transmita segurança e aconchego.

criançacommedoHoje existem muitas coleções de livros infantis sobre diversos medos. Procure uma livraria em que você possa encontrar tais livros e leia para os seus filhos, eles ajudam muito.

Gostou das dicas, tem alguma para compartilhar conosco? Adoramos conhecer o que nossas leitoras fazem para lidar com os filhos.

Fonte – Núcleo Corujas

O grupo Núcleo Corujas oferece diversos serviços especializados, grupos terapêuticos, palestras como: a chegada do irmão; retorno ao trabalho após a licença-maternidade; cuidados básicos com o bebê; cursos para avós e babás; gestação de alto risco; Shantala; banho de ofurô; entre outros. Saiba mais: www.nucleocorujas.com.br.

 

 

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