Alergia alimentar, entenda como seu organismo absorve as proteinas do leite

O leite provoca alergias alitaresmen

O leite provoca alergias alimentares

Olá amigas(os), a alergia infantil é um dos principais temas das consultas pediátricas, dos cursos e das dúvidas das mães nos últimos tempos… Na maior parte das vezes, temos o leite como principal suspeito e “carrasco” nesse processo

Primeiro, vamos a algumas informações importantes:

Entre 2 e 6% das crianças apresentam algum tipo de alergia alimentar no Brasil. Pelo fator cultural e social, o leite é o responsável por 85% desses casos (e não de todos eles), ou seja, pela matemática, cerca de 4 a 5% de todos os casos. Só para que se tenha uma ideia, nos Estados Unidos a principal causa de alergia alimentar é o amendoim (“cultura alimentar”);

Não confundir alergia com intolerância alimentar. A alergia é uma reação do indivíduo ao alergeno, substância que entrou em contato com o organismo (quer tenha sido pela pele, pelo trato respiratório ou pelo digestivo).

Já a intolerância alimentar não depende do sistema imunológico e revela uma dificuldade do organismo em metabolizar (ou digerir) determinadas substâncias (ou tipos de alimentos).

Assim, a alergia é diferente da intolerância. Não se deve confundir alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que depende da substância (proteína) que provoca a alergia, com intolerância à lactose, que depende da quantidade dessa substância (lactose);

A APLV não é um diagnóstico fácil. É importante valorizar as suspeitas clínicas. As principais manifestações das alergias alimentares são digestivas (diarreias, vômitos, sangramentos intestinais), dermatológicas (eczemas, descamações) e depois respiratórias.
Segundo alguns estudos, a proteína do leite de vaca seria responsável pelo aumento da produção de catarro e secreção, levando, então, a essa sintomatologia respiratória. Durante algum tempo, tentou-se substituir o leite de vaca pelo leite de outros animais (cabra, égua, camelo são os mais comuns registrados) no tratamento de otites e sinusites. As proteínas presentes nesses leites se mostram em taxas muito semelhantes (cerca de 90 a 95%), não sendo, dessa forma, válida a substituição para melhora dos sintomas.

O leite de soja, muitas vezes introduzido como tentativa terapêutica, também não representa a troca ideal. Segundo estudos, em cerca de 80-85% dos casos de APLV há alergia cruzada à proteína da soja.

Além das quantidades de proteínas serem diferentes nos leites, suas proporções distintas caracterizam sua digestibilidade e a alergenicidade específicas. Por exemplo, as proteínas correspondem a 11,5% da composição do leite humano e a 34% do leite de vaca, fato que pode, por exemplo, sobrecarregar os rins quando consumido em grande quantidade, aumentando a excreção de cálcio pela urina.

Independentemente do leite, seja ele materno, de vaca integral ou de fórmulas infantis, as proteínas presentes em sua composição são divididas em dois principais grupos: as proteínas do soro (principalmente a alfa-lacto-albumina – ALA e a beta-lacto-globulina – BLG) e a caseína. A caseína é uma das maiores (junto com a BLG) responsáveis pela APLV.

Sabe quando deixamos o leite fora da geladeira e ele coalha, formando grandes coágulos? Então, apresento a vocês a caseína, uma proteína que é grande e que tem uma absorção intestinal muito difícil.

Assim, para que essa proteína seja de fato digerida é necessário quebrá-la em pedaços menores, para facilitar sua absorção, sem uma sensibilização do sistema imunológico.

O leite materno tem a melhor e mais adequada proporção e evolução da relação proteínas do soro/caseína. O colostro apresenta 80/20 e o leite materno chega a 60/40. O leite de vaca contém cerca de 80% de caseína e 20% de proteínas do soro e as formulas infantis, seguindo orientação da ANVISA aqui no Brasil, apresentaram redução da quantidade de proteínas e promoveram a quebra da caseína em cadeias menores, formando proteínas mais solúveis, favorecendo a digestão e absorção, com melhor relação proteína/caseína visando aproximar essa relação ao que é encontrado no leite humano (60:40).

A BLG é o maior peptídeo do soro (45,0%-57,0%), representando, no leite de vaca, cerca de 3% e não está presente no leite humano (nem no leite de camela). Em termos quantitativos, a ALA é o segundo peptídeo do soro (15%-25%) do leite bovino e o principal do leite humano e caracteriza-se por ser de fácil e rápida digestão.

Como se vê, da parte do leite, a proteína é a grande responsável pelo quadro de alergia alimentar. Essa é uma das grandes razões para a insistência no aleitamento materno exclusivo (AME) até o 6º mês de vida e da não utilização do LV abaixo de um ano de idade.

Dois trabalhos publicados recentemente chamam a atenção a outras situações que podem favorecer o aumento da incidência de alergia alimentar.

O primeiro deles, apresentado durante uma sessão do encontro anual da Academia Americana de Asma, Alergia e Imunologia, relaciona o uso precoce de antibióticos (abaixo de um ano de idade), agravado pela repetição de seu uso com um aumento do risco de alergia alimentar.

Nesse estudo, comparou-se 1.105 crianças com alergia alimentar com 6.433 sem alergia alimentar, nascidas entre 2007 e 2009, com diagnósticos de alergia alimentar feitos antes de 31/12/2010, em sua frequência de uso, durações de tratamentos, idade de introdução da antibioticoterapia e os resultados foram considerados estatisticamente significativos.

Pacientes com asma, dermatite atópica ou eczema foram excluídos desse estudo por já apresentarem um risco maior de alergia alimentar e maior propensão ao uso de antibioticoterapia.

Comparando-se o uso de antibióticos entre 0 e 6 meses e 7 e 12 meses, notou-se um maior risco de incidência de alergia alimentar no grupo mais tardio, justificando-se ser essa a época de introdução de novos alimentos à criança (após o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês).

Os achados desse estudo apontam fortemente para a hipótese de que uma alteração da flora intestinal (microbiota) que ocorre após a exposição ao antibiótico pode contribuir com o aumento da prevalência de alergia alimentar na infância, mesmo necessitando, ainda, de mais estudos para estabelecer de forma mais definitiva essa relação e até se algum tipo específico de antibiótico poderia ter um efeito mais intenso do que outros.

Foram avaliadas 5.276 crianças com um ano de idade, com um teste cutâneo a amendoim, gergelim e clara de ovo, ao mesmo tempo em que foram colhidas amostras de sangue de 780 dessas crianças para dosagem de vitamina D.

Esse trabalho pode ser o passo inicial para evidenciar que níveis adequados de vitamina D no sangue podem representar, entre muitas outras questões, também um importante fator de proteção contra alergia alimentar no primeiro ano de vida.
Beijos até a próxima!

 

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Tags: , , , , , , , , , , , ,



Comentários

Powered by Facebook Comments